Cruise 360: CLIA Brasil prevê 75 novos navios na frota global até 2036

Cruzeiros marítimos ganham expansão histórica com novos navios e oportunidades para agentes de viagens
14 de março de 2026

Cruise 360: CLIA Brasil prevê 75 novos navios na frota global até 2036

Cruise 360: Temporada 2025/2026 deve fechar com 37,2 milhões de cruzeiristas; nos anos seguintes, número deve se aproximar dos 40 milhões

por Bruno Almeida, especial para o DIÁRIO*

De Santos

A indústria global de cruzeiros deve passar por uma expansão significativa na próxima década. Segundo projeções da CLIA Brasil, a frota mundial do setor deverá ganhar 75 novos navios até 2036, o que representa cerca de 200 mil novos leitos disponíveis para passageiros. Os dados foram apresentados pelo presidente da entidade, Marco Ferraz, durante a abertura do Cruise 360 2026, realizado em Santos neste sábado (14).

Atualmente, as companhias associadas à CLIA operam 310 navios de cruzeiro em todo o mundo. Apenas neste ano, 13 novos navios entram em operação, adicionando cerca de 27 mil novos leitos à oferta global e ampliando em aproximadamente 4% a capacidade da frota. O crescimento acompanha a alta demanda pelo turismo marítimo, que segue em expansão após a retomada do setor.

Cruise 360
Atualmente, as companhias associadas à CLIA operam 310 navios de cruzeiro em todo o mundo, afirmou Marco Ferraz

Números Globais

De acordo com a entidade, o número de cruzeiristas também segue em trajetória de crescimento. Na temporada atual, as companhias associadas devem registrar 37,2 milhões de passageiros em todo o mundo. Para 2026/2027, a expectativa é de 39,6 milhões de viajantes em cruzeiros.

O Caribe segue como principal destino global da indústria. Atualmente, quatro em cada dez cruzeiristas do mundo viajam para a região, que concentra grande parte das rotas internacionais. Já na América do Sul — especialmente nos destinos abaixo do Canal do Panamá — mais de um milhão de passageiros visitam o continente a cada temporada.

Mesmo com o crescimento da indústria global, o presidente da CLIA Brasil acredita que o país ainda pode ocupar um espaço maior nesse mercado. “O Brasil é um belo destino, mas a gente ainda tem segredos. Por exemplo, o Norte e o Nordeste são muito pouco explorados, por qualquer companhia”, afirmou Ferraz.

Mais navios para o Brasil

Segundo ele, a presença de navios na região poderia ser ainda maior. Atualmente, 94 navios operam na América do Sul, mas apenas 43 deles passam pelo Brasil. “A gente está muito feliz, a gente trabalha para mais navios e mais companhias e vamos fazer de tudo para que não só CoraAzul (empresa que começará a operação no Brasil), mas que outras companhias possam estar vindo para cá. 93 navios vieram para a América do Sul e só 43 vieram para cá. Tem mais navios diferentes em Ushuaia do que tem no Brasil. Tem mais navios de companhias em Buenos Aires do que tem no Brasil. Então tem algo a ser feito aqui”, afirmou em entrevista a jornalistas após a apresentação.

Entre os destinos mais movimentados do mundo, os principais portos de embarque, desembarque e trânsito de cruzeiros atualmente são Miami, Port Canaveral, Nassau, Cozumel e Fort Lauderdale. Na América do Sul, o principal segue o porto de Santos, responsável por 13,5% do volume total de cruzeiristas da região, seguido pelo Rio de Janeiro e por Montevidéu.

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Segundo Ferraz, a idade média dos cruzeiristas no mundo é de 46 anos, número semelhante ao observado no Brasil

Perfil dos passageiros

O perfil do público também revela uma diversidade. Segundo Ferraz, a idade média dos cruzeiristas no mundo é de 46 anos, número semelhante ao observado no Brasil. “O Brasil é muito parecido com os Estados Unidos em idade média e em tempo de cruzeiro. “

De acordo com pesquisas citadas pela CLIA, a satisfação dos passageiros é um dos principais motores do crescimento do setor. No mundo, 82% dos cruzeiristas afirmam que pretendem fazer uma segunda viagem, enquanto no Brasil esse índice é ainda maior. “No Brasil, nós tivemos na pesquisa 95% que querem, essa é a média. 95% das pessoas falaram que querem voltar para fazer uma nova viagem de cruzeiro”.

Para Ferraz, entender o perfil de cada passageiro é fundamental para ampliar as vendas no setor. “Tem que fazer essas perguntas: quando você viaja, em que tipo de hotel você fica? Ah, eu gosto de um hotel boutique, eu gosto de três estrelas, quatro, cinco, um resort. Ah, você gosta de história, de praia ou de compras? Quer praia? Então, Caribe, Brasil. Então a gente tem essa função de adaptar a idade, o perfil, os interesses, e tem um navio para cada um”.

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No primeiro dia da edição de 2026 do Cruise360, 707 participantes entre agentes de viagens, executivos e profissionais da indústria de turismo estiveram no Santos Convention Center

Destino e desafios estruturais

Além da experiência a bordo, os cruzeiros também têm impacto direto na economia das cidades portuárias. Segundo dados apresentados pela entidade, 60% dos passageiros que embarcam em uma cidade costumam reservar hotel ou hospedagem antes da viagem, e cerca de 54% permanecem no destino antes ou depois do embarque. “Se vocês estão conhecendo Santos hoje aqui, ofereçam Santos”, disse Ferraz ao público de agentes de viagem durante a apresentação.

Apesar do potencial de crescimento, o presidente da CLIA Brasil reconhece que o país ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar sua participação no mercado global. “Acho que tem falta de infraestrutura adequada, custos altos de operação. A gente é 50% mais caro do que operar na média mundial. A regulação às vezes demora para se atualizar. Um exemplo é o visto para tripulante estrangeiro vir trabalhar, a gente tem um trabalho muito grande, um custo alto. E demora para sair o visto, ainda é manual”.

Apoio dos Ministérios

Ainda assim, ele avalia que há um ambiente mais favorável ao desenvolvimento do setor. “A gente sabe que quem vende um serviço para as companhias quer ter um mínimo de segurança de número de navios e passageiros, isso também está sendo trabalhado, mas a gente nunca teve tanto apoio dos ministérios que nós conversamos, do Congresso. Eu acho que eles entendem a importância do impacto econômico em relação ao emprego.”

No primeiro dia da edição de 2026 do Cruise360, 707 participantes entre agentes de viagens, executivos e profissionais da indústria de turismo estiveram no Santos Convention Center, espaço escolhido nesta edição para ampliar a capacidade do evento. “É um espaço mais apropriado. A gente quis fazer o ano passado lá no Valongo porque é onde vai ser o novo terminal de passageiros, então acho que o agente de viagem gostou de conhecer ali onde vai ser, mas aqui a gente está mais acomodado, a Prefeitura de Santos ajudou muito a gente a ter esse espaço”, finalizou Ferraz.

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