Projeto da Embratur destaca turismo comunitário nas favelas do Rio de Janeiro

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Projeto da Embratur destaca turismo comunitário nas favelas do Rio de Janeiro

O turismo construído a partir da vivência das comunidades ganhou destaque no Rio de Janeiro com o lançamento do episódio “Turismo Transforma: Favelas do Rio de Janeiro”, novo minidocumentário da Embratur apresentado na noite desta segunda-feira (23). A produção coloca no centro da narrativa os moradores das comunidades, valorizando sua participação direta na construção das experiências turísticas.

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Embratur

A proposta do projeto é mostrar um novo olhar sobre as favelas cariocas, que passam a ser reconhecidas como territórios de cultura, criatividade, história e geração de oportunidades. A produção reúne histórias e iniciativas de comunidades como Vidigal, Rocinha, Santa Marta, Providência, Mangueira e Chapéu Mangueira.

Dividido em três episódios, o documentário percorre esses territórios a partir da perspectiva de quem vive nas comunidades. Um dos diferenciais da produção é que todas as etapas foram conduzidas por equipes formadas por moradores locais, garantindo uma narrativa autêntica e alinhada ao conceito de lugar de fala.

Segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a iniciativa faz parte da estratégia de valorização do turismo de base comunitária como instrumento de inclusão social e desenvolvimento econômico.

“Sou do Rio de Janeiro e esse é o Rio em que eu sempre acreditei. É o Rio que enxerga vida, potência e gente. O turismo em favela não pode ser um safári social. É preciso conhecer, ouvir e entender, sempre conduzido por quem é de lá”, afirma.

Turismo comunitário ganha espaço na promoção internacional

Para quem atua diretamente no desenvolvimento do turismo nas comunidades, o projeto também representa um avanço na forma como esses territórios são apresentados ao público.

Nascido e criado no Santa Marta, o líder comunitário Gilson “Fumaça” destaca a importância de romper com estigmas históricos associados às favelas.

“Estamos quebrando o paradigma de que ir para a favela é perigoso ou que precisa ser feito por intermediários. Nosso trabalho é dar visibilidade a quem desenvolve o turismo com profissionalismo e compromisso com a transformação social”, explica.

A visão é compartilhada por Patrícia Regina da Silva Ignacio, da Cooperativa de Reflorestamento da Babilônia e Chapéu Mangueira (CoopBabilônia), que observa o crescente interesse de turistas estrangeiros por experiências mais autênticas.

“O turista quer conhecer a favela ouvindo a história de quem vive ali. Isso faz toda a diferença para mostrar a realidade e o potencial desses territórios”, afirma.

Projeto também fortalece promoção internacional do Brasil

O lançamento do minidocumentário no Brasil dá continuidade a uma estratégia internacional iniciada em fevereiro durante a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). Na ocasião, a Embratur apresentou o episódio ao mercado europeu e levou empreendedores das comunidades como coexpositores no estande brasileiro.

A iniciativa permitiu que lideranças locais apresentassem diretamente seus produtos e experiências ao mercado internacional, ampliando oportunidades e contribuindo para reposicionar a imagem dessas regiões.

Novos programas para fortalecer o turismo de base comunitária

Além do documentário, a Embratur prepara novas ações voltadas ao turismo comunitário. Entre elas está o programa Made in Brasil, desenvolvido em parceria com o CIEDS, que busca identificar potencialidades locais e apoiar o desenvolvimento de soluções voltadas ao turismo de base comunitária.

A iniciativa prevê formações, articulação de redes e incentivo ao empreendedorismo em comunidades do Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Entre as ações estão capacitações em economia criativa, guiamento turístico e turismo sustentável, além de maratonas de inovação e processos de incubação de negócios.

Outro resultado previsto é a criação de guias turísticos digitais elaborados pelas próprias comunidades, reunindo experiências, serviços e atrativos locais.

Entre os projetos já em andamento está o Rocinha Mundo Afora, que busca inserir a comunidade na rota de operadoras internacionais e ampliar a geração de renda local. A iniciativa inclui também o Ideathon Rocinha Mundo Afora, voltado à capacitação de moradores para desenvolver experiências turísticas autênticas.

No campo da qualificação profissional, o Laboratório de Encantadores, realizado em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), já capacitou centenas de guias e condutores de turismo no estado.

Rio de Janeiro registra alta no turismo internacional

As iniciativas acontecem em um momento de crescimento do turismo internacional no estado. Apenas em janeiro de 2026, o Rio de Janeiro recebeu 274.412 turistas estrangeiros, número 17% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

No acumulado de 2025, o estado recebeu cerca de 2,19 milhões de visitantes internacionais, crescimento de 43,7% em relação a 2024.

Ao promover as favelas como territórios de cultura e experiências autênticas, a Embratur busca diversificar a oferta turística do destino e ampliar a distribuição de renda gerada pelo turismo nas comunidades.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Embratur 

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