A executiva Ana Paula Faure, sócia fundadora da Hplus Hotelaria, projeta um 2026 desafiador para o setor, marcado por eleições, calendário irregular e possíveis oscilações na demanda. Ainda assim, a rede aposta na valorização da diária média e na eficiência operacional para sustentar a rentabilidade, em um cenário onde Brasília mantém taxas de ocupação acima de 70%.
Na entrevista ao DIÁRIO DO TURISMO, Ana Paula Faure aborda o papel crescente da inteligência artificial na hotelaria, a expansão estratégica no Centro-Oeste e a parceria com a Accor, além de discutir temas como o peso do segmento MICE, a diversificação entre lazer e corporativo e as mudanças na gestão de pessoas — incluindo o fim da escala 6×1 e seus impactos positivos na operação. Acompanhe a entrevista concedida ao editor do DT, jornalista Paulo Atzingen:
DIÁRIO – Ana, o ano de 2026 será marcado por eleições e pela Copa do Mundo. Como a senhora avalia as perspectivas para o setor hoteleiro nesse período, com foco na rede Hplus Hotelaria?
Nossos produtos são, em sua maioria, voltados para o público corporativo. Em 2026, teremos um calendário com muitos feriados, além das eleições, fatores que podem impactar a demanda e reduzir a ocupação nos hotéis. Ao mesmo tempo, estamos em um momento de alta taxa de ocupação, com Brasília registrando uma média anual acima de 70%, um resultado bastante significativo para o mercado. Por isso, para 2026, nossa estratégia será manter o foco na valorização da diária média, buscando otimizar a rentabilidade mesmo diante de um cenário com possíveis oscilações na demanda.
DIÁRIO – Como a senhora analisa a aplicação da inteligência artificial no setor hoteleiro e quais áreas da rede Hplus já a utilizam?
A inteligência artificial tem um enorme potencial para aumentar a produtividade da hotelaria, principalmente em análise de dados, gestão de demanda e otimização de processos, o que agrega muito no nosso dia a dia. Na Hplus já temos alguns sistemas na área de vendas que operam com I.A prevendo demandas e ajustando tarifas e no estamos implantando também no setor financeiro, para automatizar demandas repetitivas. Mas a essência da hotelaria continua sendo acolher pessoas. A IA pode ajudar a antecipar necessidades, melhorar a eficiência e personalizar experiências, mas jamais irá substituir as pessoas.
DIÁRIO – A Hplus Hotelaria, com raízes em Brasília e em constante expansão, demonstra interesse em novos destinos. De que forma o desenvolvimento do Centro-Oeste pode impulsionar a abertura de novas unidades da Hplus?
O desenvolvimento do Centro-Oeste tem um papel fundamental na estratégia de expansão da Hplus. A região vem apresentando crescimento consistente, impulsionado principalmente pelo agronegócio, pelo fortalecimento de polos logísticos e pelo aumento da demanda corporativa. As cidades como Sorriso, Primavera do Leste e Rio Verde apresentam alta demanda e já estamos em negociações nessas praças. Em 2025, a Hplus passou pelo processo de homologação junto a rede Accor, passando a ter a possibilidade de gerir hotéis sob marcas da família Ibis, Mercure, Novotel e Pullman. Também iniciamos uma nova operação em Bonito, fruto dessa parceria com a marca Ibis Styles. Além disso, em abril está prevista a inauguração de uma nova operação em Araguaína/TO.
DIÁRIO – Qual representatividade do segmento “MICE” para a receita da Hplus? Como a rede hoteleira trabalha com esse segmento específico?
Somos uma rede com grande perfil corporativo, logo o MICE é extremamente importante. Temos na nossa estrutura de vendas uma equipe focada em grupos e eventos que tem contribuído bastante na composição do faturamento. Tem meses que chega a ser de 30%. E o mais importante, boas tarifas e em sua grande maioria, Net.
DIÁRIO – Considerando o dinamismo de Brasília, com grande fluxo de pessoas e eventos, multiplicidade de interesses como as unidades da Hplus se dividem entre foco corporativo e lazer?
Brasília é um destino naturalmente orientado ao turismo corporativo, o que influencia diretamente o posicionamento da Hplus. A maior parte da demanda está ligada a negócios, setor público e eventos, o que faz com que o foco principal da rede seja o público corporativo. Por outro lado, existe uma estratégia clara de diversificação, especialmente em finais de semana e períodos de menor demanda corporativa. A Hplus trabalha para atrair o público de lazer por meio de tarifas mais atrativas, experiências diferenciadas e valorização dos atrativos locais. Esse equilíbrio é importante porque o próprio mercado vem mostrando a convergência entre lazer e negócios.
DIÁRIO – Em janeiro, foi anunciada a abertura do Ibis-Araguaína. Como tem sido a parceria com a Rede Accor?
A parceria com a Accor reforça o posicionamento estratégico da Hplus em expandir sua atuação em outros estados. A chegada do Ibis Araguaína representa um movimento importante nesse sentido, unindo a expertise operacional da Hplus ao reconhecimento e à força de marca da Accor. Esse tipo de parceria permite acelerar a entrada em novos mercados, mantendo padrões internacionais de qualidade e ampliando a competitividade do empreendimento. Além disso, a colaboração com a Accor contribui para a diversificação do portfólio da Hplus, possibilitando atender diferentes perfis de público e demandas, sempre com foco em eficiência operacional e experiência do cliente. Estamos indo para a segunda operação e com negociações avançadas.
DIÁRIO – Na 15ª convenção da Hplus, realizada em dezembro pp, foi anunciado o fim da escala de trabalho 6×1. Quais as principais considerações sobre essa mudança?
Implementamos essa mudança em agosto de 2025, sempre com o foco no bem-estar dos nossos colaboradores. Acreditamos que um time motivado é essencial para o sucesso da empresa, e essa iniciativa contribuiu diretamente para isso. Além de proporcionar mais tempo de qualidade com a família, a mudança trouxe um melhor equilíbrio entre a jornada de trabalho e o tempo de lazer. Como resultado, também observamos uma redução no número de atestados e turnover, o que impactou positivamente não só o clima organizacional, mas também os resultados da empresa. Nosso próximo desafio neste mesmo caminho é aumentar a licença paternidade porque acreditamos que fortalecer esse vínculo afetivo entre pai e filho ajuda a reduzir a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.
DIÁRIO – Além do centro-oeste, como está o plano de desenvolvimento da Hplus?
A Hplus completa 24 anos em 2026. Ao longo dessa trajetória, desenvolvemos um modelo de gestão eficiente, escalável e validado pelo mercado. No que diz respeito à satisfação dos hóspedes e à qualidade dos nossos hotéis, fomos reconhecidos como a 4ª rede com melhor reputação no Brasil, segundo a plataforma MyHotel, que analisa mais de 2 mil hotéis na América Latina.
Na perspectiva do investidor, também tivemos resultados muito consistentes: renovamos 100% dos contratos no último ciclo, entregamos boa rentabilidade e realizamos o retrofit de todas as nossas unidades, reforçando nosso compromisso com a valorização dos ativos e a perenidade da operação.
Hoje, estamos participando de concorrências em Mato Grosso, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, praças estratégicas para o nosso crescimento e aderentes ao nosso perfil de atuação no segmento corporativo. Esse movimento está alinhado ao projeto Hplus 2036, que orienta nosso plano de expansão com disciplina, critério e visão de longo prazo.
Para nós, crescimento não é apenas uma questão de escala. Para preservar nossos diferenciais: como uma estrutura mais leve, proximidade com o investidor e agilidade na tomada de decisão, cada novo ativo precisa fazer sentido estratégico e apresentar fundamentos consistentes de mercado.
Também temos acompanhado oportunidades de conversão de empreendimentos que já atingiram maior maturidade e que demandam uma visão mais realista sobre o potencial do produto, sempre com aderência às condições efetivas de mercado.
Acreditamos que nossas credenciais nos qualificam para atuar na conversão de ativos que estejam performando abaixo do seu potencial, ajudando a restabelecer a confiança na relação com a administradora e conduzindo processos de reposicionamento. Nesses casos, podemos contribuir não apenas com a gestão, mas também com soluções de retrofit e estruturação de investimento, através de key money, quando fizer sentido para o projeto.
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