Expresso Turístico da CPTM completa 17 anos nos roteiros de Paranapiacaba e Jundiaí

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Expresso Turístico da CPTM completa 17 anos nos roteiros de Paranapiacaba e Jundiaí

Uma comemoração do Expresso Turístico da CPTM, com direito a bexigas em azul e branco e até parabéns na chegada ao destino.  Foi exatamente o cenário montado, nos últimos sábado e domingo (18 e 19), no percurso do Expresso Turístico da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM, que leva passageiros em busca de lazer, com partida da estação paulistana da Luz, sempre aos finais de semana completou 17 anos em operação.

Por Cecília Fazzini (texto) e Cristina Brocchieri (fotos)

As duas viagens, que marcaram a data festiva, respectivamente rumo à cidade de Jundiaí (SP) e à Vila de Paranapiacaba – pertencente ao município de Santo André, aconteceram em dias ensolarados e ocupação plena dos 352 assentos, levando a bordo passageiros curiosos e entusiasmados com os roteiros.

Trem turístico da CPTM leva visitantes para passeios em Jundiaí e na Vila de Paranapiacaba, em São Paulo. Crédito: Cristina Brocchieri
Débora e Vânia, simpatia durante o percurso. – Crédito: Cristina Brocchieri

A trajetória do trem turístico, que transporta a média de 33 mil passageiros/ano, na faixa etária de 35 a 65 anos, 75% provenientes da cidade de São Paulo e com predominância do público feminino, é marcada por sucesso. Além da alta demanda e reserva online concorrida na página da CPTM, realizada com um mês de antecedência, a proposta combina lazer e preservação histórica e destaca a relevância do transporte ferroviário no Estado.

Os 48 quilômetros até a Vila de Paranapiacaba, no domingo (19), contou com a cobertura do DIÁRIO DO TURISMO. Entre alguns veteranos, familiarizados com o trem como meio de transporte, o protagonismo coube àqueles que faziam a estreia (segundo dados da CPTM, 85% são passageiros de primeira viagem), ao percorrer as seis estações no percurso, com parada – na ida e na volta – apenas na Estação “Prefeito Celso Daniel”, em Santo André. Direto do sistema de som interno da composição, fabricada na década de 1960, puxada por locomotiva a diesel de 1952, a emoção tocou a todos, com o relato reproduzido pelo sistema de som interno, sobre a saga do Expresso Turístico e, sobretudo, a importância econômica representada pelo auge do período das ferrovias, embalado pelo ciclo de prosperidade do café.

Atmosfera retrô

Das amplas janelas do trem de alumínio, que com a luz do sol emprestou literalmente brilho ao domingo de seus ocupantes, era possível ver antigas chaminés de fábricas desativadas. Esqueletos de estruturas que abrigaram linhas inteiras de produção, em emblemáticos bairros de tradição industrial da metrópole, como Mooca e Ipiranga e a própria Região do ABC, berço do polo automotivo do País. Nada escapava ao olhar.

As duas agentes de bordo, Vânia e Débora, devidamente uniformizadas, desde a recepção aos viajantes, na Estação da Luz, deram um banho de simpatia e acolhida. A equipe ainda era formada pelo maquinista, mais um profissional da manutenção e outro da limpeza. O serviço de bordo é oferecido por empresa terceirizada. Na chegada à Paranapiacaba, a Oquestra Lyra, formada por músicos locais, recebeu os visitantes com som de qualidade, repertório que foi do emblemático “Trem das Onze” até “Parabéns à Você”.

Preservar para contar a história

Para Paulo Lima, diretor tesoureiro no âmbito nacional e diretor técnico da regional São Paulo, da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária – ABPF, que prestigiou a viagem festiva, “o turismo ferroviário no Estado de São Paulo e no País está em ascensão, ajudado pelo interesse da população em geral, num índice de crescimento de 8,5% ao ano, nos últimos 10 anos. Esse percentual só não é maior, pela limitação na oferta, “o que justifica a fila de espera para a viagem do Expresso Turístico, atestando que a demanda supera a oferta”, frisa.

Ele também considera que a sinalização do governo de apoio ao turismo, com fomento para o setor, reforça que o caminho das viagens sobre trilhos está no caminho certo. Mas, no seu entender, ainda falta bater o martelo  para concretizar ações que beneficiem o segmento de trens. “A operação ferroviária impacta positivamente os destinos alcançados, repercutindo em crescimento econômico”, alerta. E cabe às concessionárias CPTM, Rumo e MRS Logística, à frente da operação desse nicho de transporte, de acordo com obrigação contratual, direcionar recursos para a memória e preservação ferroviária, “o que contribui para alavancar os projetos de restauração”, sintetiza Lima.

O representante da ABPF explicou que a entidade, que atua há 49 anos, tem como missão resgatar a memória e o patrimônio ferroviário brasileiro, para tanto a entidade de interesse público e sem fins lucrativos atua no restauro de locomotivas, carros, linhas férreas, estações e itens relacionados à memória e preservação ferroviária. Ao todo a associação conta com 4.700 em cadastro no País.

Paulo Lima, da ABPF, preservar o bem ferroviário para crescer Crédito: Cristina Brocchieri
Paulo Lima, da ABPF, preservar o bem ferroviário para crescer – Crédito: Cristina Brocchieri

A paixão sobre trilhos

Aficcionado pelo universo ferroviário e metroviário, Bruno Policeno Mourão, de 21 anos, morador de Cotia, na Grande São Paulo, era um dos ocupantes da viagem à Paranapiacaba, no último domingo (19). Ele, que na véspera também já havia feito o trajeto até Jundiaí, não perde uma oportunidade de viajar nesse meio de transporte e nem de expandir seu conhecimento sobre as peculiaridades que cercam o modal. Conta que desde muito pequeno já tinha grande interesse por trens, recorda trabalhos escolares e desenhos quando criança,  além dos passeios com o pai no metrô da Linha Verde e da sua confessa paixão precoce, sendo que a partir dos 12 anos já se deslocava sozinho de trem. “Quando fui diagnóstico com autismo, se descobriu o hiperfoco no tema trem e daí se tornou uma paixão”, atesta. Bruno divide o tempo entre a imersão nas particularidades das ferrovias e o trabalho com o pai, numa oficina mecânica, mas encontra tempo para o que ser tornou mais do que um hobby. Grava viagens e o deslocamento das composições nas estações com regularidade e registra tudo no seu canal no Youtube, “Transportes Ferroviários (TF)” (@transporteferroviari6196), mantido desde 2017. “O trem me traz paz, vira sempre programa de lazer, é muito bom apreciar a paisagem”, considera ele, que no exterior já teve experiência com os metrôs de Nova Iorque e Lisboa.

Interessado em estar cada vez mais próximo do mundo das ferrovias, Bruno já chegou a se candidatar à vaga de maquinista na CCR, mas não foi classificado e considera até mesmo trabalhar numa estação.

Aficionado por ferrovias, Bruno Policeno Mourão acompanha o trajeto do Expresso Turístico rumo a Paranapiacaba. Crédito: Cecilia Fazzini / DT
Bruno Mourão, paixão por trem desde pequeno – Crédito: Cristina Brocchieri

Novatos a bordo

Cinco integrantes de três gerações da família Evangelista, moradores de São Bernardo do Campo, tiveram a primeira experiência a bordo de um trem, exatamente na viagem comemorativa do Expresso Turístico para Paranapiacaba. Brígida Evangelista, engenheira ambiental, acompanhada dos pais, do marido e do filho, explicou que embora já conhecesse e apreciasse muito o destino escolhido, a chegada de trem à vila histórica era um plano antigo do grupo familiar. O objetivo era experimentar a nova sensação, contribuir para relembrar as memórias do pai quando criança, entre eles o único que já havia embarcado no passado num trem com destino ao Interior paulista, e ainda apresentar a novidade ao filho de três anos. “O passeio não apresenta qualquer tipo de complicação, acontece muito próximo da capital e considero que o Brasil deve viabilizar esse tipo de transporte, porque diminuiria inclusive a poluição provocada pelos veículos que circulam nas rodovias”, sintetizou.

Passageiros apreciam a paisagem durante o trajeto do Expresso Turístico entre a capital paulista e Paranapiacaba. Crédito: Cecilia Fazzini / DT
Família Evangelista, primeira vez a bordo – Crédito: Cristina Brocchieri

Carinho pela profissão

Quando o trem apitou, na chegada à Paranapiacaba, no último domingo, após uma viagem de duas horas de duração, Yule de Almeida Dias Brito, o maquinista de 43 anos, cumpria mais um percurso, de sua jornada de 15 anos nas locomotivas da CPTM, dos quais oito na atual função. Paulano de nascimento, frisa que “é um prazer exercer esse papel no trem, sobretudo transportar pessoas para os passeios em Paranapiacaba e Jundiaí”. Segundo ele, à cada partida e chegada o gosto pelo que faz se confirma, contrariando qualquer interpretação de que conduzir uma locomotiva possa ser uma rotina desinteressante. Muito pelo contrário, ele não tem qualquer dúvida de que não pensaria duas vezes caso possa, no futuro, inspirar a filha, hoje com três anos, a seguir seus passos profissionais.

Expresso Turístico da CPTM mantém tradição de passeios ferroviários partindo da Estação da Luz. Crédito: Cecilia Fazzini / DT
O maquinista Yule Brito, amor declarado ao ofício – Crédito: Cristina Brocchieri

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